6 décadas de história e cultura

Conheça a história da SCAR por meio dos fatos mais marcantes de cada década.

Década de 50

Uma ideia e um piano

 

No início, eram apenas alguns amigos e a música.

O ponto de encontro, naturalmente, era na casa onde ficava o piano. A pianista Adelia Piazera Fischer e seu marido, o violinista Francisco Fernando Fischer, eram os anfitriões e principais inspiradores do grupo.

Logo, o quarteto virou quinteto, que virou uma pequena orquestra. E a pequena orquestra se tornou uma Orquestra de Câmara, que se apresentava em Jaraguá do Sul e cidades vizinhas. A atividade constante, a necessidade de espaço para ensaios e a busca por meios legais de sustentação financeira foi levando o grupo a discutir sua própria organização e papel na sociedade.

Muitas reuniões depois, em 8 de junho de 1956 a Sociedade Cultura Artística foi fundada.

Desde o início, ficou estabelecido que a SCAR não se limitaria à música instrumental e vocal, mas se voltaria às artes dramáticas, artes plásticas e outras manifestações artísticas. Um ano depois, em 15 de junho de 1957, a nova entidade apresentava o 1º Grande Concerto da Sociedade Cultura Artística, no Clube Atlético Baependi, em uma noite de gala até então nunca vista na região.

 

Década de 60

Início intenso

 

Os anos 60 foram de intensa atividade. Cada vez mais a orquestra tornava-se conhecida regionalmente e a contribuição artístico-musical da SCAR projetava Jaraguá do Sul, pólo econômico em ascensão, também como centro cultural que se orgulhava de sua Orquestra de Câmara.

Neste período, a SCAR dependia de doações do seu quadro de sócios contribuintes e de espaços emprestados por terceiros para o desenvolvimento de suas atividades.

Mesmo sem local próprio, a organização e a disciplina eram notáveis. Com dias fixos para ensaios e participação totalmente voluntária, os músicos participavam com entusiasmo e eram convidados para os mais variados eventos. A música ligeira dava o tom do repertório: Bach, Strauss, músicas húngaras e árias das óperas mais famosas eram sucesso garantido entre o público.

 

Década de 70

Um triste hiato

 

Em 1970, com a morte de Adélia Fischer, a orquestra fica por um longo período sem atuação, pondo em risco até a existência da SCAR. Adélia Fischer era a alma da orquestra. A professora de música organizava ensaios, escolhia repertório, arranjos, distribuía partituras, tocava piano e acordeon. No piano, regia a orquestra toda, envolvia os músicos com sua liderança.

Mas o impacto da perda de sua principal inspiradora foi aos poucos sendo minimizado pela retomada das atividades da orquestra e de novas ações, como a fundação do Coral da SCAR, em 1974, além do início das ações nas áreas de artes plásticas.

E logo um novo objetivo uniu os integrantes: a construção de um teatro.

 

Década de 80

Primeira sede

 

Na década de 80, um novo período de intensa atividade marca a consolidação da entidade. Em 1982, a doação de um terreno localizado na Rua Amazonas marca o início da construção da sede própria, inaugurada em 1986.

Mesmo ocupando ainda de forma precária o prédio de 1.000 m², a SCAR passa a diversificar as atividades de ensino de artes em geral, tornando-se uma das mais importantes na educação musical de Jaraguá do Sul.

Em pouco tempo, o prédio da Rua Amazonas ficou pequeno para tantas atividades. Tanto que, em 1989, a doação de um terreno de 4.987 m² na Rua Jorge Czerniewicz permitiu sonhar mais alto.

A construção foi organizada e planejada para que o novo centro cultural fosse considerado o marco de uma geração. Com trabalho em equipe, visitas a diferentes teatros para buscar referências e a valorização de profissionais da região, o projeto começou a tomar forma. Em 2 de junho de 1989, as 10h, foi lançada a pedra fundamental da construção, financiada inicialmente com recursos da Lei Sarney de Incentivo Fiscal.

 

Década de 90

Pilares

 

As mudanças políticas e econômicas da conturbada década de 90 no Brasil influenciaram diretamente no volume de recursos e a obra ficou praticamente parada por 15 anos. Nada que tirasse o ânimo dos envolvidos. Com a atividade cultural ainda em alta na sede da Rua Amazonas, os esforços continuaram sendo feitos para que a obra fosse retomada.

Finalmente, em 7 de outubro de 1996, com recursos da nova Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, o centro cultural recomeça a ser construído. Em 1999, a sede localizada na Rua Amazonas foi vendida para a prefeitura e várias dependências do novo prédio começaram a ser utilizadas regularmente, como a secretaria e o Pequeno Teatro.

Em dezembro de 1999, foi apresentado o segundo Auto de Natal, pela primeira vez no Grande Teatro e acompanhado pela Orquestra Filarmônica recém criada. Um espetáculo que emocionou a plateia de 1.000 pessoas acomodadas em cadeiras ainda provisórias.

Foram necessários mais três anos para a inauguração definitiva do Centro Cultural.

 

Anos 2000

Sonho realizado

 

Em 16 de maio de 2003, com o espetáculo Um Nome, Uma Ideia e um Piano – totalmente criado pelos núcleos de produção artística da SCAR e dirigido por Gilmar Antônio Moretti, foi inaugurado o Centro Cultural de Jaraguá do Sul – SCAR. Uma noite que ficou marcada como uma das mais emocionantes da trajetória da instituição.

A história poderia parar por aqui, como se a inauguração fosse o final feliz. Mas a realidade é sempre mais cruel que a ficção. Nos primeiros anos, a estrutura do centro cultural era difícil de ser mantida.

Foram alguns anos de aprendizado, investimento e evolução para que a administração equilibrasse receitas e despesas, para que o espaço fosse utilizado em todas as suas possibilidades, com eventos culturais, corporativos e educacionais.

Mas o esforço em conjunto da pequena equipe de trabalho, da diretoria e o envolvimento de toda a comunidade e poder público, logo começou a mostrar resultados.

 

Década de 10

Referência Cultural

 

Hoje, a SCAR não é só palco de grandes eventos, mas espaço de formação artística para mais de 1.000 alunos, de lazer e cultura para população e colocou a região de Jaraguá do Sul no mapa dos grandes artistas. Exerce seu papel de agente ativo no desenvolvimento da cultura em todas as frentes. No fomento a projetos, na educação básica, na formação de público e no debate democrático, com a classe artística e o poder público, para definição e execução de políticas culturais.

E seu Centro Cultural é o primeiro no Brasil a operar de forma sustentável, com geração de energia solar fotovoltaica e reaproveitamento de água da chuva, fato reconhecido pelo Prêmio Braztoa de Sustentabilidade na categoria Parceiros do Turismo.

O projeto premiado se alinha ao pensamento sustentável e ao princípio da preservação do meio ambiente ligada à economia, à cultura e ao turismo. Em junho de 2016, a instituição implantou em seu Centro Cultural duas iniciativas que visam um maior benefício socioambiental: a geração de energia solar e a captação de água da chuva.

Cerca de 75% da energia elétrica consumida no prédio do Centro Cultural é gerada por meio da incidência da luz solar nas 480 placas de captação instaladas em 960m2 do telhado do prédio. A capacidade de geração mensal é de 14 mil kWh e nos dias em que a geração é maior que a necessidade predial, a energia retorna para a rede elétrica, colaborando também para o abastecimento da cidade.

Já para a captação de água da chuva, foram instaladas cisternas e caixas d'água com capacidade de armazenamento total de 70 mil litros de água, a qual é direcionada para a limpeza das estruturas físicas, descargas e pias dos banheiros, havendo abastecimento externo somente para os pontos onde é necessária água potável.

Em 8 de junho de 2016 a SCAR completou 60 anos.

Um aniversário celebrado com projetos nas áreas de música, dança, teatro e artes plásticas, a SCAR movimenta a cultura de toda a região durante o ano inteiro, além de ser equipamento de fundamental importância para que a cidade receba grandes eventos. Um aniversário celebrado com um centro cultural moderno, bem equipado e administrado, de localização estratégica no centro da cidade, democrático e sustentável.

 

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